Às sete da manhã no pátio do colégio estadual do bairro pobre. Naquele tempo o Hino Nacional era sagrado antes de começarem as aulas. Os guris cantarolavam desafinados, alguns seguindo a "cola" comum nas contracapas dos cadernos daquele tempo. Outros cochilavam em pé enquanto muitos faziam planos para um dia de "Hoje não" bem sucedido. Planos simples. Bastava tentar bater e não apanhar. Alguns chegavam mais cedo que os outros para colher os frutos das árvores que rodeavam os pavilhões. Tinham os que já combinavam os times para jogar futebol no intervalo onde brigas eram comuns, menos com o dono da bola. E os que contavam os minutos para engolir a sopa rala que era servida como lanche, a primeira refeição do dia. Uns poucos que estudavam.
No meio de tantos havia um menino calado que navegando em sua mente imaginava tudo diferente. Um mundo todo novo. Imaginava, sobretudo os diálogos que teria, do jeito que tinham de ser, as conversas que não teve e as coisas que não podia fazer, por ser proibido, por ser fantasioso, por ser bom ou perfeito demais. Era acima de tudo um observador e o que mais lhe fascinava era Elvira. Alguma sarda, franja e rabo de cavalo. Grandes olhos verdes que o transformavam em pedra.
Encontrou-a uns 20 anos depois numa manhã de sábado enquanto procurava um presente para um amigo. A literatura, o cinema e a tevê nos ensinam que momentos assim tão raros são cerimoniais, mágicos, passionais. Carregados daquela alegria ainda crua dos tempos de mocidade, de primeiros amores. Ensinam que reencontros assim são sempre felizes ainda que não mudem absolutamente nada do que foi construído pelo tempo. Notou que afinal muita coisa havia mudado, porém só sorriu ao perceber as muitas outras que haviam permanecido. E mais uma vez ela passou por ele sem notá-lo.
Ai que maldadeee!!! Eu pensando já no Happy end! Mas a vida é assim mesmo, né amigo?
ResponderExcluirComo é de costume, eu AMEI o texto!
Beijo
Oi Rodrigo! Quanto tempo hein? Tá tudo bem com você?
ResponderExcluirEste post me trouxe grandes recordações do passado. Me lembro bem da Hora Cívica nas escolas, hasteando a bandeira e cantando o Hino.
Eu não era uma das mais estudiosas, mas vive algumas experiências como a do garoto do texto. Me apaixonava perdidamente pelos meninos mais difíceis da escola, aqueles mais exigentes. Eu não tinha os atributos que chamassem atenção e nem mesmo meus humildes olhos azuis eram motivos para que prestassem atenção em mim. Sofria profundamente com isso! E hoje quando os encontro vejo que praticamente nada mudou. Continuam não me notando da mesma forma. O que mudou é que isso não faz mais a menor diferença pra mim e lamento, porque perderam uma ótima oportunidade de pelo menos terem me conhecido melhor!
Coisas da vida né?
Parabéns pelo texto! Você como sempre fantástico!
Some não!
Beijo grande pra você!
Putz, Rodrigo, parece que nas lembranças só os donos são diferentes...
ResponderExcluirPê Sousa.
Um Happy end! tá faltando isso né Alice!
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Saudades de você também Kelly, vou sumir não!
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Pois é meu amigo, será o jeito que escrevo ou as lembranças que carrego são as lembranças de todos? uma coisa eu sei, aquele tempo era bom demais...
Grande texto!!
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