sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Um atalho

Nos ares daquela noite emanavam risadas sem fim. Os copos mágicos que quanto mais se bebia mais cheios ficavam. O excesso de picanha quebrado por queijos e coxas de frango com curry. O rapaz olha o relógio e se entristece. Hora de voltar pra casa que o amanhã vem a galope.

Num atalho, feito de rua quase escura, um carro em alta velocidade vem no sentido contrário em ziguezague. Estaciona num tranco e aguarda. O rapaz sente uma leve palpitação e acelera. Passa pelo carro parado na velocidade que a rua cheia de remendos o permite. Sua companheira cochila no banco do carona enquanto ele olha freneticamente pelo espelho retrovisor que mostra o carro suspeito fazer o retorno e acelerar até alcançá-lo. Ele acelera mais, porém o suspeito ainda se mantém próximo demais. A memória só faz trazer histórias de assaltos que sempre ouviu. Na rua seguinte faz conversão à esquerda, sinaliza com a seta e pragueja contra o vício de fazer tudo certinho. 

Não há saída. Ou é pegar logo a rodovia numa manobra não permitida ou fazer a rotatória como de costume, que o permitiria voltar para dentro da cidade novamente. Olha novamente o retrovisor. O perseguidor avança quase tocando um para-choque no outro. Resolve pela rotatória. Faz a curva brusca à direita e acelera. A esposa resmunga qualquer coisa por conta da curva que a jogou contra o vidro enquanto ele respira aliviado: o carro suspeito passou direto e pegou a rodovia.

2 goles:

Alice Barros disse...

Mas homi.... Estilo Agatha Christie de leitura nervosa! rs Adorei!

Leonardo Pascoal disse...

Ótimo texto! Parabéns, man! :)

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